Fonte: Diário do Grande ABC

A Billings foi deixada de lado pelo governo do Estado. A represa sequer é mencionada no pacote de medidas ambientais anunciado pela Secretaria do Meio Ambiente no último dia 9/03/07. O mesmo, porém, não ocorre com a represa Guarapiranga, que terá um projeto específico de recuperação.

O plano de recuperação ambiental do governo inclui redução de poluição de rios, desmatamento ou emissão de fumaça preta em São Paulo até 2010.

O secretário Francisco Graziano justifica que a Billings não é uma área prioritária. O reservatório seria contemplado, segundo ele, numa segunda fase, sem data definida nem projeto estudado.

Graziano afirma que a região será contemplada num primeiro momento com o acordo firmado entre a Prefeitura de São Bernardo, a Sabesp e a Jica (Agência Internacional de Cooperação do Japão). Projeto que promete solucionar parte dos problemas da represa, que conta com uma população nas margens de mais de 800 mil de pessoas.

Porém, além de a cidade ser apenas uma das cinco da região que margeiam a Billings, o plano ainda não saiu do papel. O investimento internacional, orçado em R$ 218 milhões, será trabalhado em ações isoladas em bairros como o Jardim Pinheirinho e o Parque Estoril, que devem receber asfalto ecológico (para filtrar e direcionar a água) e centro de proteção ambiental.

No acordo, os problemas relacionados ao abastecimento e tratamento de esgoto seriam amenizados com obras de construção de coletores locais que levariam os dejetos à ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) ABC, na Capital, divisa com São Caetano. Além da construção de uma nova central, em Santa Cruz, e da reforma da ETE Riacho Grande.

A omissão estadual se agrava quando considera-se que parte do volume de água da Billings deságua na Guarapiranga. A Billings abastece 4,5 milhões de pessoas, incluindo a zona Sul de São Paulo, Baixada Santista, São Bernardo, Santo André e Diadema. A água é retirada do braço do Rio Grande, próximo a Riacho Grande. Local que há acúmulo de esgoto, proveniente dos córregos poluídos em áreas de ocupação clandestina.

O presidente da Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy, é responsável por relatório que constata que se nada for feito para proteger a represa, a expectativa é de que o reservatório diminua cerca de 60% num período de 50 anos. O que obrigaria as pessoas a economizarem na mesma proporção para não terem o abastecimento interrompido nos meses de inverno, quando não há chuva.

"Os campos naturais, que absorvem a chuva que vem do Oceano e alimentam o solo, têm de ser preservados para que a Billings possa manter sua recarga. O Estado é essencial nisso. Só ele pode, por exemplo, criar uma APA (Área de Proteção Ambiental) na região”, diz o presidente da Proam.

O hidrogeólogo da USP Ricardo César Hirata explica que a água volta à represa por escoamento natural, quando a chuva cai em rios que desembocam na Billings; e pelos lençóis freáticos. O volume de água é absorvido no solo, vai para o subterrâneo e volta a partir de um ciclo perfeito.

"A população das margens da represa, porém, interfere nesse processo ao despejar esgoto nos córregos que mantêm o sistema. A fiscalização deve ser intensificada, de acordo com a legislação existente para áreas de mananciais”, afirma.

O quadro atual revela o tamanho do problema. A expansão dos loteamentos e o adensamento por verticalização já fez desaparecer do mapa margens inteiras. O que antes era água, hoje é mato e em processo de preenchimento. Fato impossível de ser desprezado pelo governo do Estado.

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