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Cooperação para Sustentabilidade na Capacitação da Sociedade Civil
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Eduardo Coutinho de Paula - Catalisa Rede de Cooperação para Sustentabilidade

A humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais em relação ao que o nosso planeta é capaz de repor naturalmente. Esse dado foi apresentado no Relatório “Planeta Vivo 2002” e reapresentado em 2004 pela WWF – Fundo Mundial para a Natureza. Com isso, estamos comprometendo as gerações atuais e, principalmente, as futuras, pois o capital natural está diminuindo e pode acabar. Já estamos na metade dessa década: se não mudarmos drasticamente os atuais padrões de produção e de consumo, haverá certamente uma queda dramática na qualidade de vida da população em todo o mundo a partir de 2030. Principalmente, a alarmante crise mundial na questão das águas espelha a crise de consciência da nossa civilização e do modelo de “desenvolvimento” adotado.

Com a finalidade de responder ao crescente desafio da pobreza generalizada, do verdadeiro sentido de desenvolvimento e do equilíbrio ambiental, é vital que consideremos os recursos, a produção e as pessoas, bem como, questões demográficas, a melhoria dos cuidados com a saúde e a educação, os direitos das minorias e das comunidades locais, num processo democrático de participação, ligado a um aprimoramento de sua gestão.
Dentro deste intrincado contexto, o presente artigo procura destacar a importância de a sociedade civil ser devidamente informada e potencializada para a prática da cooperação e a gestão compartilhada dos recursos naturais, como precioso modo de exercer a cidadania. A reflexão sobre nossas atitudes de omissão, competição e cooperação, individual e coletivamente, revela-se de grande importância para nossa vida em comunidade e o uso dos recursos naturais.
Coloca-se em foco a alarmante crise mundial das águas e aborda-se o tema da organização social cooperativa em prol das águas, sob uma gestão democrática, participativa e descentralizada dos recursos hídricos, como um caminho sábio e saudável de convivência.
É relatado também o uso do instrumento metodológico dos Jogos Cooperativos em programas de capacitação para a sustentabilidade que vêm sendo desenvolvidos na região do ABC Paulista e grande São Paulo desde 2003.

Trazendo o Contexto

As desigualdades sociais e a degradação ambiental são os dois lados de uma mesma moeda.

O chamado processo de urbanização ocorrido nos últimos trinta anos no Brasil não se constitui numa urbanização: o que de fato aconteceu foi a destruição do entorno rural das cidades, sem que esse processo tivesse resultado em estruturas urbanas adequadas às novas necessidades da população. No modo pelo qual os governos têm “planejado” o crescimento urbano, as áreas de urbanização crescem e os limites entre cidades vizinhas - ou entre um município e seus subúrbios - se confundem de forma desordenada, agravando os efeitos do êxodo rural e o excessivo aumento da urbanização, com cidades desconfiguradas e gigantescos bolsões de miséria nas regiões periféricas. Esse processo, chamado conurbação, vem avançando e aumentando o déficit de equipamentos e serviços públicos, transporte e habitação.

Neste processo, têm sido preteridas as reservas ecológicas e as áreas rurais, principais instrumentos capazes de conter a proliferação indiscriminada das áreas construídas e cuja preservação é essencial para a criação e manutenção de corredores ecológicos, de mananciais hídricos e do equilíbrio climático.

Segundo o Relatório “Planeta Vivo 2004” da WWF, a "pegada ecológica" do ser humano - índice que mede a sustentabilidade ambiental com base na demanda de recursos naturais renováveis - aumentou em 70% desde 1970 (5% a mais do que o crescimento populacional) e é hoje de 2,2 hectares por pessoa num mundo que só dispõe de 1,8 hectares por pessoa.

Em termos mundiais, seguem alguns dados de realidade retirados de fontes diversas:

·        1,3 bilhões de pessoas (mais de um terço da população dos países em desenvolvimento, que corresponde a quase 1/5 da população mundial) sobrevivem com menos de 1 dólar por dia (linha de pobreza absoluta).

·        Concentração da riqueza: o patrimônio das 359 pessoas mais ricas do mundo equivale à renda dos 2,4 bilhões de pessoas mais pobres (40% da humanidade).

·        Elite de consumo: cerca de 20% da população mundial consome 80% dos recursos naturais do planeta.

·        “Pegada Ecológica”: o maior consumo é da população da América do Norte – a "pegada” de um norte-americano equivale a de dois europeus e a sete vezes o tamanho da pegada de um asiático ou de um africano. No ranking mundial, a "pegada” do brasileiro fica em 60º lugar na lista de 149 países considerados no estudo. Quando se compara o consumo somente de alimentos, fibras e madeiras, no entanto, o Brasil sobe para 27º lugar. No item energia, o Brasil fica em 82º lugar e em água fica em 70º lugar.

  • Sede: 35% da humanidade carece de água potável sendo que nos países em desenvolvimento essa realidade chega a 60%. Mais da metade da população mundial  pode não ter  acesso à água potável, em 2032.

A meta da economia global, em sua forma atual, é a de elevar ao máximo a riqueza e o poder de suas elites; a do projeto ecológico, a de elevar ao máximo a sustentabilidade da teia da vida. Cada vez menos se pode duvidar de que o capitalismo global, em sua forma atual, é insustentável e precisa ser reformulado desde os alicerces”. (Fritjof Capra)


Desenvolvimento Sustentável

Numa abordagem de desenvolvimento sustentado, concebemos um modelo econômico, político, social, cultural e ambiental equilibrado, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Colocamos em pauta o  questionamento, pessoal e coletivo, sobre o estilo de “desenvolvimento” adotado, quando se constata que este é ecologicamente predatório na utilização dos recursos naturais, socialmente perverso na geração de pobreza e extrema desigualdade social, politicamente injusto com concentração e abuso de poder, culturalmente alienado em relação aos seus próprios valores e eticamente questionável no respeito aos direitos humanos e aos das demais espécies.

Assim, buscamos a melhoria da qualidade de vida da população e do planeta como um todo; eqüidade na distribuição de renda e de diminuição das diferenças sociais, com participação e organização popular; a erradicação da pobreza e da exclusão, respeito aos direitos humanos e integração social; redução dos impactos ambientais, da produção de resíduos tóxicos e da poluição; equilíbrio de ecossistemas, a conservação dos recursos, utilização de tecnologias limpas, renováveis e de maior eficiência; o respeito aos diferentes valores entre os povos e incentivo a processos de mudança que acolham as especificidades locais; equilíbrio entre o rural e o urbano, equilíbrio de migrações, a desconcentração das metrópoles, a industrialização descentralizada e maior acesso à ciência e tecnologia; a construção da cidadania, a eficiência das instituições públicas e descentralização da gestão de recursos.

Consideramos que é a partir da COOPERAÇÃO que a capacidade da sociedade pode se realizar, apresentando-se como um dos principais catalisadores para o verdadeiro sentido de desenvolvimento, de modo sustentável. A idéia e a necessidade da sustentabilidade decorrem fundamentalmente de razões éticas cooperativas: a perpetuação da humanidade e da vida em geral.


Recursos Hídricos: Consciência e Co-responsabilidade da Sociedade Civil   

À medida que as populações e as atividades econômicas crescem, muitos países estão atingindo rapidamente condições de escassez de água ou se defrontando com limites para o desenvolvimento socioeconômico. As demandas por água estão aumentando rapidamente, com 70 a 80% exigidos para a irrigação, menos de 20% para a indústria e apenas 6% para o consumo doméstico. A elevada demanda contraposta à baixa disponibilidade de água em algumas regiões têm provocado intensa disputa pela sua utilização. Essa disputa, por sua vez, gerou uma série de conflitos de interesses os quais, em muitos casos, se tornaram o centro das discussões acerca da questão ambiental.

A água é parte integrante do ambiente natural e também um recurso finito que tem grande impacto em nossas vidas. Sendo um bem público dotado, tanto de valor social e ambiental, quanto de valor econômico, são múltiplos, difusos e até antagônicos os interesses envolvidos na gestão do uso e aproveitamento da água. Administrar, conservar, proteger e utilizar esse precioso recurso de modo racional é uma questão que compete a toda a sociedade.

O acesso à água é um direito humano fundamental e, conforme previsto na legislação brasileira e na Agenda 21, toda pessoa deve ter água potável em quantidade suficiente, com custo acessível e fisicamente disponível para usos pessoais e domésticos.

Sabemos que a gestão da água é uma temática extremamente complexa no Brasil, devido à diversidade geográfica, ambiental, condições socioeconômicas e culturais, além dos aspectos de ordem política. Os desafios são enormes, sendo necessário contemplar desde a promoção da conservação e preservação dos ecossistemas, o controle da poluição e dos eventos hidrológicos críticos, até o fomento do desenvolvimento, em seu sentido essencial, rompendo o ciclo de exclusão social e pobreza a que está destinada uma parcela crescente da população.

É importante destacar que a crise das águas não afeta a sociedade de modo homogêneo. A conservação e as formas de uso da água têm forte relação com questões de pobreza, gênero, poder e política. É justamente essa realidade que requer políticas específicas visando a reversão do atual quadro de exclusão cidadã.

Partilhamos a compreensão de que a gestão participativa, integrada e descentralizada dos recursos hídricos revela-se como o caminho mais adequado para superarmos os desafios comuns. A forma participativa considera a possibilidade de os atores envolvidos terem a iniciativa de promover o processo e se organizarem, de forma cooperativa e solidária para tal fim. A ação integrada dos mesmos, bem como a integração entre as ações, tem por objetivo otimizar esforços, meios e resultados. A descentralização consta no sistema tri-partite (governo, sociedade civil organizada e setores consumidores de água), no qual o maior número e diversidade de representantes favorece maior abrangência e eficácia das decisões e soluções.

Embora a defesa ambiental e das águas tenha sido identificada e reconhecida, sua incorporação à lógica econômica ainda é parcial. Na maior parte dos casos, a degradação do ambiente ainda é considerada como uma externalidade aos custos econômicos.


O grande desafio é o de garantir que essas diferentes visões se somem, se complementem, no sentido de permitir que a gestão de recursos hídricos realmente caminhe em direção à sustentabilidade”. (Plano Nacional de Recursos Hídricos – Ministério do Meio Ambiente – Secretaria de Recursos Hídricos)


Organizando uma Sociedade Cooperativa em Prol das Águas

Especialmente no contexto da gestão de recursos hídricos, a busca da sustentabilidade se configura como o caminho possível para reverter o quadro de degradação, alicerçando as bases para a construção coletiva de um novo modelo de organização social e de desenvolvimento.

Fundamental destacarmos que a Bacia Hidrográfica é a base de toda a gestão das águas no Brasil, sendo proposta como unidade territorial de planejamento, integrando políticas para implementação de ações conjuntas objetivando o uso, a conservação e a recuperação das águas.

Antes de prosseguirmos, é bastante importante termos presente o conceito de Bacia Hidrográfica. Ela é uma área da superfície terrestre delimitada pelos pontos mais altos do relevo (divisores de águas), onde toda a água precipitada nessa área escorre para os pontos mais baixos, formando um curso de água (rio) principal ou um lago. As ações tomadas em qualquer ponto desta área interferem na Bacia como um todo, exemplificando de modo direto a idéia de interdependência.

Com a necessidade de promover a gestão participativa dos recursos hídricos, considerar os interesses dos diversos usuários da água e promover entendimentos, cooperação e conciliação entre os diversos atores da bacia, o Comitê de Bacia Hidrográfica, também chamado “Parlamento das Águas”, é formado por representantes do governo, sociedade civil organizada e setores usuários da água, como organismo colegiado, consultivo e deliberativo.

Conforme consta no texto do Plano Nacional de Recursos Hídricos, no processo de construção de um novo modelo de desenvolvimento, o grande desafio é o de estabelecer uma relação de poder compartilhada e descentralizada, criando oportunidades de participação social, construindo consensos, superando conflitos e pactuando a unidade na diversidade.

Planejar é reunir as condições para construir o futuro desejado e estabelecer os meios para atingi-lo. A construção de um planejamento estratégico para os recursos hídricos, tendo por base a localidade, deverá contemplar experiências de uso múltiplo das águas, bem como conflitos existentes e potenciais que evidenciem a necessidade de um diálogo construtivo.

Metaforicamente, podemos considerar o Comitê de Bacia Hidrográfica, em sua forma tri-partite, como um grande Jogo Cooperativo, de esforços comuns, articulações, planejamento e negociações.

Várias lideranças representam interesses de distintos grupos, há composição de diferentes forças e a tendência à tensão é natural. Temos necessidades básicas de uso da água da população em geral colocadas frente a frente com interesses de iniciativas privadas e demandas de políticas públicas. O foco deve estar nos aspectos que unem e não nos aspectos que separam os indivíduos ou grupos.

Na prática de operação dos Comitês de Bacia, há uma grande distância entre a realidade atual e a situação ideal para gestão compartilhada dos recursos hídricos, devendo ser esse fato uma fonte de estímulo a cada um de nós e à sociedade como um todo. Apesar de diferentes interesses, a Cooperação pode ser crescente, à medida que as interações entre os atores se dinamizam e eles vão descobrindo que, por meio de objetivos superiores e o estabelecimento de parcerias, os resultados podem ser favoráveis a TODOS.


Que a pluralidade de percepções e de saberes de nossa sociedade possam ser incorporados no processo de construção coletiva de políticas públicas, como um exercício de cidadania e empoderamento da sociedade”.  (Plano Nacional de Recursos Hídricos – Ministério do Meio Ambiente – Secretaria de Recursos Hídricos)


Jogos Cooperativos e a Gestão das Águas  

A partir de uma perspectiva global, com foco na localidade, torna-se evidente a necessidade da realização de programas de capacitação da sociedade civil em recursos hídricos, com o objetivo de fortalecer sua representação nos Comitês de Bacias Hidrográficas e sua participação no Sistema de Gestão de Recursos Hídricos. Deve ser enfatizado o aspecto ambiental nos processos decisórios e nas diretrizes para a recuperação, a preservação e a conservação dos recursos hídricos em cada uma das sub-regiões. Espera-se assim contemplar as necessidades da população e das atividades produtivas, de modo a se alcançar seu desenvolvimento sustentável, incentivando a descentralização e democratização da gestão dos recursos hídricos, mais precisamente, a rotatividade de poder entre os vários níveis de composição dos Subcomitês de Bacias.

Seguimos agora com um breve relato de experiências com o uso de Jogos Cooperativos como instrumento metodológico neste tipo de programa de capacitação para a sociedade civil, voltado ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê – CBH-AT.

No segundo semestre de 2003, tivemos a oportunidade de participar do Programa de Capacitação Governativa para Representantes do Subcomitê de Bacia Billings-Tamanduateí, ministrando Oficinas com Jogos Cooperativos e Economia Solidária no curso realizado em São Bernardo do Campo – SP, com apoio FAPESP – Programa Políticas Públicas (PROJ. 98/13979-3), FUNDUNESP – Fundação para o Desenvolvimento da UNESP e CEA – Centro de Estudos Ambientais da UNESP.

Por iniciativa e coordenação da AGDS – Associação Global de Desenvolvimento Sustentado (www.agds.org.br), Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, foi desenvolvido em Osasco – SP, com recursos do FEHIDRO - Fundo Estadual de Recursos Hídricos – no segundo semestre de 2004, o Curso de Capacitação da Sociedade Civil abrangendo o Subcomitê Pinheiros-Pirapora.

No período de abril a julho de 2005, vem sendo realizado novo Curso de Capacitação para o Subcomitê Billings-Tamaduateí.

Reunindo um grupo bastante heterogêneo de cerca de 40 educandos cada, os programas acima citados contaram com participantes de diversas áreas e um corpo docente multidisciplinar que muito enriqueceu o processo, favorecendo a obtenção dos resultados esperados.

Os últimos cursos vêm sendo encerrados com grande êxito num ritmo de imersão de três dias de acampamento em área – PRÓ-AMBIENTE - na orla da Represa Billings, sob domínio de mata atlântica, cedida pela EMAE – Empresa Metropolitana de Águas e Energia. Na ocasião, os participantes vivenciam dias intensos de atividades norteados pela prática da cooperação. Ocorrem oficinas com Jogos Cooperativos e Liderança Compartilhada, sendo o convívio cooperativo na sustentação e manutenção da área um elemento chave, além de diversas atividades em campo com a presença de vários integrantes do corpo docente.

Conforme esperado, nos programas de ambos os Subcomitês, a metodologia dos Jogos Cooperativos deu novas provas de sua força e flexibilidade para a conscientização de valores da prática cidadã, o exercício de convivência e o aprofundamento de importantes temas pertinentes à questão da sustentabilidade, liderança e gestão compartilhada. O foco nutrido foi a relevância da Cooperação para superarmos os aspectos de impasse na gestão dos recursos naturais, bem como na organização coletiva para a conquista de objetivos comuns e includentes.

Está confirmada a realização de futuros cursos voltados a Subcomitês de Bacias Hidrográficas do Alto Tietê. O programa completo aborda temas como: Legislação Estadual sobre Recursos Hídricos, Saneamento Ambiental, Ética e Situação Atual da Bacia Hidrográfica, Educação Ambiental, Construindo um Diagnóstico, Projetos Participativos e de Intervenção Estrutural, entre outros. Nossa participação nesses programas aborda diferentes temas organizados nos seguintes módulos: Organização da Sociedade em Prol das Águas; Relações interpessoais e gestão de diferenças e Praticando a Cooperação.

É com grande alegria que percebemos a Cultura da Cooperação em ação nesse casamento do exercício de cidadania para a sustentabilidade!


Conclusões

O presente artigo procurou desenvolver os principais temas e idéias ligadas à Cooperação e à Sustentabilidade, bem como sua aplicação à realidade da gestão de recursos hídricos e participação nos Comitês de Bacias Hidrográficas.

Tivemos por tarefa uma necessária reflexão sobre o contexto da crise das águas e nossa co-responsabilidade em sociedade.

O fomento do desenvolvimento sustentável implica que as relações socioeconômicas não sustentáveis demandam uma reorientação para o interesse comum, difuso e de atendimento às necessidades das futuras gerações. Procuramos, portanto, destacar a importância vital de construirmos coletivamente um novo modelo de organização social e de verdadeiro desenvolvimento.

Nesse processo, a formação e a operação de Comitês de Bacias Hidrográficas constitui-se numa referência catalisadora da organização social em prol das águas.

Partilhamos a compreensão de que a inserção da temática da Cooperação e dos Jogos Cooperativos, em reflexão e prática, nos programas de capacitação técnica da sociedade civil em recursos hídricos - com objetivo de sua participação ativa nos Comitês de Bacias - representa um enorme passo no tratamento da questão e na promoção de políticas públicas e projetos ambientais em geral, constituindo-se em considerável avanço na ampliação da cidadania.


Para Saber Mais:

ALBAGLI, S. Globalização e espacialidade: o novo papel do Local. Brasília: IBICT/MCT, 1999. (Coletânea Globalização & Inovação Localizada: experiências de sistemas locais no Mercosul).

ALBUQUERQUE, F. Desenvolvimento Econômico Local e Distribuição do Progresso Técnico: uma resposta às exigências do ajuste estrutural. Fortaleza: Banco do Nordeste, 1998.

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JACOBI, P. - "Educação Ambiental e Cidadania"; SORRENTINO, M. - De Tbilisi a Thessaloniki: A Educação Ambiental no Brasil.
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