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Educação Ambiental

O impacto destrutivo de nossa civilização sobre a natureza, provocado principalmente pela industrialização e por extensas áreas desmatadas para agricultura por monocultura e pecuária, motivou uma série de iniciativas ao longo do século XX. A abordagem mais antiga é o conservacionismo e a conseqüente criação de reservas de vida selvagem.

Jornadas de Educação Ambiental

O Brasil é conhecido por suas proporções continentais, uma enorme variedade climática, um gigantesco patrimônio ambiental e a maior diversidade biológica do planeta. A conservação de tais recursos e a utilização apropriada dos mesmos são, contudo, cada vez mais desafiadoras. Cresce a pressão sobre a utilização dos recursos naturais disponíveis, tais como a expansão da fronteira agrícola e o extrativismo. Em nosso país, destaca-se a interação com o meio ambiente e mais de 16% do território correspondem a áreas de proteção ambiental.

Os ambientalistas foram os primeiros a tomar consciência dos problemas causados pela poluição, decorrentes de um modelo de desenvolvimento predatório, ecologicamente irresponsável e absolutamente insustentável. Os ecologistas propõem mudanças globais nas estruturas sociais, econômicas e culturais.

Neste contexto, surge a educação ambiental, buscando desenvolver condutas de respeito ao ambiente e suas diferentes formas de vida e da necessidade de estabelecer uma ética ambiental.

A educação ambiental traz conceitos cidadania e desenvolvimento sustentável porque resgata o papel de agente transformador do ser humano diante da realidade, trazendo em questão o estilo de vida e a qualidade de vida.

Faz poucos anos que o tema da sustentabilidade do desenvolvimento passou a receber a devida atenção nos debates públicos. A idéia de sustentabilidade indica algo capaz de ser conservável, duradouro, apresentando uma imagem de continuidade. A sustentabilidade é um conceito relacional e um objetivo a perseguir que se refere a um significado dinâmico e flexível, focado no respeito à Vida.

Em 1972, um marco do crescente peso político dos ecologistas foi a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, Suécia, que oficializou a preocupação ecológica internacional. Seguiram-se relatórios sobre esgotamento de reservas minerais, aumento da população, etc., que tiveram grande impacto na opinião pública, nos meios acadêmicos e nas agências governamentais.

O Seminário de Educação Ambiental realizado em Belgrado em 1975 é considerado um marco conceitual para a educação ambiental, tendo resultado no Programa Internacional de Educação Ambiental pela UNESCO (PIEA) em colaboração com o Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA).

A Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, considerada uma das mais avançadas do mundo, determina que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Uma reflexão crítica sobre a realidade em que vivemos revela, facilmente, que há um enorme abismo entre a teoria das leis e a prática nos cuidados com a natureza e o respeito pelo meio ambiente.

Em 1992, tivemos a II Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro (Eco 92), representando um marco na história da proteção dos direitos humanos e consciência ecológica mundial, não apenas do ponto de vista do estabelecimento de diretrizes de conservação, mas pela mobilização dos atores envolvidos. A reunião conglomerou mais de 170 países, 22 mil pessoas, pertencentes a mais de 9 mil organizações não governamentais.

Na ocasião, foram aprovados documentos importantes como a Convenção Quadro sobre Mudanças Climáticas, a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), a Declaração de Princípios das Florestas e a controvertida Agenda 21. Essa última prega a união de todos os países no objetivo da melhoria global da qualidade de vida. Procura unir ecologia e progresso, através de um ousado modelo de desenvolvimento sustentável, ou seja, compatível com a capacidade de sustentação do crescimento econômico, sem exaustão dos recursos naturais.

O direcionamento da Agenda 21 não deixa margem a dúvidas em relação à meta de eliminação da pobreza e seu objetivo último: a melhoria da qualidade de vida do planeta e de todos os seres vivos que nele habitam.

Atualmente, 1,1 bilhão de pessoas já não têm acesso à água potável e um quinto da população mundial vive com menos de um dólar por dia.

Passados mais de dez anos da Eco 92, constatamos que muitos poucos avanços concretos ocorreram segundo os fundamentos da Agenda 21 e outros tratados internacionais. O último encontro de Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu em Agosto/Setembro 2002 na África do Sul, Johanesburgo tinha de responder não só ao desafio da proteção ambiental numa economia globalizada, como também à necessidade de reduzir a pobreza para garantir um futuro sustentável.

A elaboração e a implementação de programas de Educação Ambiental requer uma reflexão sobre seus pressupostos básicos e objetivos:
  • compreensão do ambiente em sua totalidade requer a aquisição de conhecimentos básicos de ordem social e científica;
  • o processo de conscientização deve passar pela sensibilização com relação aos desafios ambientais;
  • o desenvolvimento de aptidões para a superação desses desafios;
  • enfoque crítico acerca da realidade, espírito criativo e cooperação são fundamentais para a busca de possibilidades e soluções;

As metodologias adotadas são de abordagem participativa, desde seu planejamento até a execução das ações, favorecendo o comprometimento de todos os envolvidos no processo educativo.

A participação ativa dos atores envolvidos é de vital importância para a construção de uma relação de co-responsabilidade entre a equipe técnica responsável pelo programa e o público-alvo do processo.

A avaliação dos programas de educação ambiental são de caráter permanente, contendo aspectos quantitativos e qualitativos, com fins de verificação do alcance do programa.

A educação ambiental faz parte de todo um processo de democratização, construção da cidadania e busca de uma sociedade ecologicamente equilibrada e socialmente mais justa.

Podemos concluir que a educação ambiental prevê a reformulação de valores e o surgimento de uma ética ambiental embasada na solidariedade e na cooperação, assim catalisando o resgate da humanidade das pessoas.