Economia Solidária

O quadro alarmante de exclusão social que testemunhamos em nosso país requer urgência na obtenção de soluções concretas para desafios antigos como a pobreza, a fome, a baixa escolaridade, a violência, e tantos outros que nem o mercado, nem o Estado conseguiram solucionar. O aumento da concentração de renda nas últimas décadas e conseqüentemente da exclusão social agravou-se com o atual processo de globalização econômica.

Economia Solidária
Estandes da II Feira de Economia Solidária

Estes intrincados problemas nos estimulam a procurar saber como aliar desenvolvimento econômico, qualidade de vida, democracia participativa e relação sustentável com o ambiente.

Destinados a promover as pessoas e a coletividade, programas de Economia Solidária vêm recebendo crescente apoio de governos municipais e estaduais, sendo reconhecidos como uma poderosa política de reversão do quadro de pobreza, desemprego, exclusão em todos os níveis e precarização do trabalho, sustentada em modos coletivos de geração de trabalho e renda, integrados aos processos de desenvolvimento local participativos e sustentáveis.

A Economia Solidária é representada por um conjunto de iniciativas inspiradas em valores humanos que coloca o ser humano como sujeito no processo da vida e na atividade econômica, em vez da acumulação de capital. Isso pressupõe mudanças importantes no mundo do trabalho, incentivando a eqüidade, a democracia, a cooperação, a solidariedade e a qualidade das relações no trabalho. Compreende uma grande diversidade de práticas econômicas e sociais – de produção, distribuição, finanças, trocas, comércio, consumo, poupança e crédito – organizadas sob a forma de autogestão.

Por autogestão, entendemos um modelo de organização que visa sustentar relações igualitárias, embasado na participação democrática da gestão, no qual o processo grupal é vivenciado de modo transparente e as decisões são tomadas de modo compartilhado. Autogestão também significa autonomia, o que representa que as pessoas envolvidas devam estar capacitadas para:

  • assumir a co-responsabilidade pelo processo decisório, seus resultados e desdobramentos,
  • democratizar tarefas que requeiram conhecimento,
  • superar entraves ao acesso às informações e conhecimento,
  • incentivar o desenvolvimento pessoal e coletivo,
  • promover o trabalho em equipe e o relacionamento entre as pessoas.

Uma das principais condições para a existência da autogestão é a existência de um grupo, ou seja, que exista um Propósito comum. O sujeito da autogestão não é o indivíduo, mas o grupo, numa condição coletiva. O conflito é parte integrante do processo grupal e se revela como um indicativo da existência da própria autogestão, pela possibilidade de debates públicos e política ativa no grupo. Assim, a autogestão representa uma democracia real, permanente e cotidiana.

Sabemos por experiência que, através da Economia Solidária, e também do chamado Comércio Justo, Ético e Solidário, podemos levar a prática da cooperação para novos modos de organização das relações de trabalho e de relações sociais, geração e distribuição de renda.

A chamada incubação de empreendimentos populares e solidários compreende um processo de qualificação para a autogestão popular, assessoria para organização das relações de trabalho, produção, mercado, consultoria de acesso a linhas de crédito e acompanhamento da sua utilização, intermediação de negócios, comercialização, formalização e gestão de empreendimentos solidários, assessoria técnica e outros.

Desta forma, levar a filosofia, a cultura e a prática da Cooperação voltada ao combate à pobreza, promoção da cidadania, inclusão social e desenvolvimento sustentável por meio de geração de trabalho e renda revelam-se como uma preciosa ação no processo de transformação da nossa sociedade.